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Claims made no RC Profissional: entenda a retroatividade

23/09/202611 min

Conteúdo escrito ou revisado por Allison Santana, Diretor Comercial da Vivax Corretora de Seguros. Última revisão em 23/09/2026.

Claims made no RC Profissional: entenda a retroatividade

Quem contrata seguro de Responsabilidade Civil Profissional (RC Profissional, também chamado de E&O — Errors and Omissions) encontra no contrato uma expressão que define quase tudo: base claims made. Ela determina qual reclamação está coberta e qual não está, e é a origem da maior parte das surpresas desagradáveis em sinistros dessa modalidade.

Resposta rápida

Na base claims made (reclamações feitas), a apólice cobre reclamações apresentadas ao segurado e comunicadas à seguradora durante a vigência, desde que o fato gerador tenha ocorrido após a data de retroatividade definida no contrato. Não importa apenas quando o erro aconteceu: importa quando a reclamação chegou. Por isso, manter a retroatividade ao renovar ou trocar de seguradora é essencial — se ela for perdida, fatos antigos deixam de estar amparados.

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Envie a apólice atual e a Vivax confere retroatividade, limites e prazos de notificação.

O que significa claims made

Na base claims made, três condições costumam precisar ocorrer simultaneamente:

  1. O fato gerador (erro, omissão ou negligência) ocorreu depois da data de retroatividade;
  2. A reclamação foi apresentada ao segurado durante a vigência da apólice;
  3. A comunicação à seguradora foi feita dentro da vigência ou do prazo de notificação previsto.

Falhou qualquer uma delas, a discussão sobre cobertura fica comprometida.

Base ocorrência x base claims made

AspectoBase ocorrênciaBase claims made
Gatilho da coberturaData do evento danosoData da reclamação
Uso típicoRC geral, riscos com dano imediatoRC Profissional, D&O, riscos de manifestação tardia
RetroatividadeNão se aplicaElemento central do contrato
Risco na troca de seguradoraMenorAlto, se a retroatividade não for mantida

A base claims made existe porque, em serviços técnicos, o erro pode levar anos até gerar reclamação. Um parecer, um laudo ou um projeto pode ser questionado muito depois da entrega.

Data de retroatividade

É a data a partir da qual os fatos geradores passam a ser considerados pela apólice. Fatos anteriores a ela ficam de fora.

Cenários comuns:

  • Retroatividade igual à data de início da apólice: só fatos novos são amparados;
  • Retroatividade recuada: alcança fatos anteriores, geralmente quando o segurado comprova continuidade de seguro;
  • Retroatividade ilimitada: mais rara, depende da política de subscrição e do histórico do segurado.

Quanto mais recuada a retroatividade, maior a proteção — e, normalmente, maior o prêmio, porque a exposição da seguradora aumenta.

O que é fato gerador e o que é reclamação

  • Fato gerador: o ato profissional questionado (o cálculo equivocado, a orientação inadequada, a omissão no laudo);
  • Reclamação: a manifestação formal de um terceiro exigindo reparação, judicial ou extrajudicialmente.

Entre um e outro podem se passar anos. A apólice claims made trabalha nessa distância temporal.

Circunstância conhecida: o cuidado do preenchimento

Se o segurado já sabe de um problema que provavelmente gerará reclamação, isso costuma ser considerado circunstância conhecida e deve ser declarado na proposta. Fatos conhecidos e não declarados tendem a ser excluídos.

Esse ponto merece atenção especial em renovações e trocas de seguradora: omitir uma situação pendente pode comprometer a cobertura futura.

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Prazo complementar e prazo suplementar de notificação

São dois mecanismos que estendem a possibilidade de comunicar reclamações após o fim da vigência:

  • Prazo complementar de notificação: período adicional, normalmente previsto nas condições gerais, para comunicar reclamações relacionadas a fatos ocorridos dentro da vigência;
  • Prazo suplementar de notificação: extensão contratada, geralmente mediante prêmio adicional, que amplia esse período.

A duração, a forma de acionamento e as condições variam conforme o produto e as condições gerais registradas. Profissionais que encerram atividade ou se aposentam costumam avaliar o prazo suplementar para não ficar descobertos.

Troca de seguradora sem perder cobertura

Esse é o momento de maior risco em RC Profissional. Checklist prático:

  1. Identifique a data de retroatividade da apólice atual;
  2. Exija que a nova proposta mantenha a mesma data ou anterior;
  3. Confirme se há exclusão de fatos conhecidos e o que precisa ser declarado;
  4. Verifique se os limites e sublimites permanecem compatíveis;
  5. Evite lacuna entre o fim de uma vigência e o início da outra;
  6. Avalie contratar prazo suplementar na apólice que está sendo encerrada;
  7. Guarde as apólices anteriores — elas comprovam a continuidade.

Uma redução de prêmio que venha acompanhada de retroatividade encurtada normalmente não é economia: é redução de cobertura.

Quem costuma contratar RC Profissional

  • Engenheiros, arquitetos e escritórios de projeto;
  • Empresas de tecnologia e desenvolvimento de software;
  • Contadores, auditores e consultorias;
  • Advogados e escritórios jurídicos;
  • Profissionais e clínicas da área de saúde;
  • Corretoras e prestadores de serviços técnicos regulados;
  • Empresas de engenharia consultiva e gerenciamento de obras.

A aceitação, os limites e as condições dependem da atividade, do faturamento e da análise de risco de cada seguradora.

Erros comuns

  • Renovar com retroatividade "zerada" para reduzir prêmio;
  • Deixar lacuna entre apólices;
  • Não comunicar circunstância conhecida;
  • Comunicar a reclamação fora do prazo previsto;
  • Confundir RC Profissional com RC geral;
  • Encerrar a atividade sem avaliar prazo suplementar;
  • Contratar limite incompatível com o porte dos contratos assinados.

Como dimensionar o limite de garantia

O limite de garantia no RC Profissional costuma ser definido a partir de critérios objetivos da atividade:

  • Valor médio e máximo dos contratos assinados;
  • Exposição potencial de cada projeto ou serviço;
  • Exigências contratuais de clientes e órgãos contratantes;
  • Faturamento anual e número de projetos ativos;
  • Histórico de reclamações do setor de atuação;
  • Existência de sublimites para determinadas coberturas.

Um limite muito abaixo do valor dos contratos transforma a apólice em proteção parcial. Um limite superdimensionado eleva o prêmio sem ganho proporcional. O ponto de equilíbrio vem da análise dos contratos efetivamente firmados.

Coberturas e cláusulas frequentemente discutidas

  • Custos de defesa, e se eles estão dentro ou fora do limite contratado;
  • Perdas financeiras de terceiros decorrentes do serviço;
  • Extensão a sócios, empregados e prestadores em nome da empresa;
  • Cobertura para serviços prestados no exterior, quando aplicável;
  • Violação não intencional de direitos de propriedade intelectual, conforme produto;
  • Despesas com contenção de danos à reputação, quando previstas.

Cada uma dessas cláusulas altera o resultado prático da apólice e deve ser comparada entre propostas, e não apenas o preço final.

O que fazer ao receber uma reclamação

  1. Registre a data em que tomou conhecimento;
  2. Não assuma responsabilidade nem faça acordo antes de comunicar a seguradora;
  3. Comunique formalmente dentro do prazo previsto na apólice;
  4. Reúna contrato, escopo do serviço, correspondências e entregáveis;
  5. Preserve registros técnicos e versões de documentos;
  6. Alinhe a estratégia de defesa com a seguradora;
  7. Acompanhe o andamento e mantenha a documentação organizada.

Comunicar cedo, mesmo diante de uma simples circunstância, costuma ser mais seguro do que esperar a formalização de uma ação judicial.

Em resumo

Claims made significa que a apólice olha para a data da reclamação, não para a data do erro — e a data de retroatividade define até onde no passado essa proteção alcança. Manter a retroatividade, declarar circunstâncias conhecidas e entender os prazos de notificação é o que garante que a cobertura exista no momento em que ela realmente for necessária.

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Perguntas frequentes

O que é base claims made? É a base de contratação em que a apólice cobre reclamações apresentadas e comunicadas durante a vigência, desde que o fato gerador tenha ocorrido após a data de retroatividade prevista no contrato.

O que é data de retroatividade? É a data a partir da qual os fatos geradores passam a ser considerados pela apólice. Atos profissionais anteriores a essa data normalmente ficam fora da cobertura.

Perco a cobertura se trocar de seguradora? Pode perder, se a nova apólice adotar retroatividade posterior à anterior. Por isso a data de retroatividade deve ser mantida ou recuada na negociação da renovação.

O que é prazo complementar de notificação? É o período adicional previsto nas condições gerais para comunicar reclamações relacionadas a fatos ocorridos durante a vigência, após o término da apólice.

E o prazo suplementar? É uma extensão desse período, normalmente contratada mediante prêmio adicional, útil para quem encerra atividade ou muda de estrutura profissional.

Reclamação antiga é coberta? Somente se o fato gerador for posterior à data de retroatividade e a reclamação for apresentada e comunicada dentro da vigência ou do prazo de notificação aplicável.

Conteúdos relacionados

Fontes consultadas

  • SUSEP — Consulta de produtos e condições gerais do ramo responsabilidade civil profissional — acessar fonte oficial (consulta em 23/09/2026)
  • Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), disposições sobre contrato de seguro e responsabilidade civil — acessar fonte oficial (consulta em 23/09/2026)

Sobre o autor e revisão

Allison Santana é Diretor Comercial da Vivax Corretora de Seguros e responsável técnico pelos conteúdos do site. Conheça o perfil completo em /autor/allison-santana.

Última revisão: 23 de setembro de 2026.

Coberturas, limites, franquias e aceitação dependem das condições gerais da seguradora, do texto da apólice e da análise de risco. Este conteúdo é informativo e não substitui a leitura do contrato nem parecer jurídico.

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